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21/11/2008 13:17
CRISTO REI
Cada vez que o Ano Litúrgico chega ao fim, e somos convocados a celebrar na alegria a festa de Cristo Rei, volta sempre insistentemente no meu espírito a imagem do grande Papa que criou esta festa: Pio XI. Esse Papa que seus contemporâneos sonhavam em ver glorificado com o título de "Pio Magno", tal a grandeza de seu pontificado. Foi o Papa de Ação Católica, o Papa das Missões, o Papa, sobretudo, da solução da "Questão Romana", através do Tratado de Latrão, que resolveu a penosa situação criada pela ocupação de Roma pelo exército italiano, e o fim dos Estados Pontifícios. Pio XI - como disseram - restituiu a Itália a Deus e Deus à Itália, criando um imenso clima de alegria para a Igreja e para o povo da Península unificada.
Pio XI tinha como lema "A paz de Cristo no Reino de Cristo". E sonhava com o mundo todo conquistado para o Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um mundo todo submetido ao suave domínio do Divino Rei. Ele, evidentemente, não sonhava com nenhuma grandeza terrena para os seguidores de Cristo. Nem mesmo fazia consistir o triunfo do Evangelho no esplendor das catedrais que enobrecem a face da terra, de um extremo a outro do mundo, por mais que isso também anuncie agradavelmente a presença do Evangelho. Ele pensava numa presença do Evangelho de maneira muito mais profunda. Pensava no Evangelho orientando as leis e os costumes, disciplinando os povos na liberdade e na justiça, santificando as famílias, o trabalho e o progresso, iluminando os caminhos da ciência e da cultura. Pio XI suscitou na Igreja inteira uma sensação de vida e de alegria, apesar de todas as dificuldades que não faltaram no seu tempo, quando na Alemanha se implantava o nazismo e se consolidava o comunismo na Rússia com seu punho de ferro.
O ideal de Pio XI ao instituir a festa de Cristo Rei pode estar sintetizado nas luminosas palavras do Prefácio da missa, onde se diz que o Reino de Cristo é "o reino da verdade e da vida, o reino da santidade e da graça, o reino da justiça, do amor e da paz". Quando esses valores estiverem implantados em todo o mundo, então se poderá dizer que o reino anunciado por Jesus e germinado das sementes do Evangelho que Ele semeou está realmente presente. Se bem que a plenitude do Reino só se realizará mesmo na vida eterna.
Da riqueza das leituras que a liturgia da missa de hoje nos oferece, poderíamos respingar duas reflexões. A primeira é o quadro do Juízo Final, onde Jesus se manifesta como o Juiz da História, "quando vier na sua glória, e todos os anjos com Ele" (Mt 25,31). É um quadro de majestosa beleza. A essência que se pode apurar é que o mundo será julgado pela maneira como tiver praticado, ou como tiver deixado de praticar, o mandamento do amor ao próximo. O prêmio eterno ou a eterna condenação dependerá disso: "Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber. .." (v v 35 e 36). Ou, pelo contrário: "Tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber. .." (v v 42 e43). E devemos atualizar essas colocações do Evangelho, alinhando aí nossos deveres de dar a todos instrução e cultura, hospitais e saúde, oportunidade de crescer e de se realizar na justiça e na liberdade. Essa luz do último Dia deve iluminar todos os dias do mundo, Só assim nossa terra será o lugar do amor e da paz. E o mais importante de tudo isso é que na pessoa a quem ajudamos ou deixamos de ajudar é o próprio Jesus que está presente: "Cada vez que o fizestes a um desses irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes. Todas as vezes que o deixastes de fazer a um desses pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer" (v v 40 e 45).
A segunda reflexão é apontada pela leitura da primeira carta aos corlntios. Aí é Jesus, o Divino Rei, no triunfo final do seu Reino. O mal foi vencido. Foram derrotados todos os poderes hostis ao Reino. A última inimiga, a morte, estará também destruída pela ressurreição. E Jesus apresentará ao Pai o povo do seu Reino. Dir-se-ia que é como um general vitorioso que faz desfilar seu glorioso exército na parada final. "E quando todas as coisas lhe estiverem submetidas - conclui São Paulo - então também o Filho se submeterá àquele que lhe submeteu todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos" (1 Cor 15,28). Sem dúvida, uma das páginas mais belas do Novo Testamento.
Leituras da Solenidade de Cristo Rei - Ano A:
1a) Ez 34,11-12.15-17
2a) 1 Cor 15,20-26a.28
3a) Mt 25,31-46
Fonte: Pe. Lucas de Paula Almeida, CM
enviada por Ernesto
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